segunda-feira, 10 de março de 2014

é pontual a leste

é pontual o mapa dos homens em meu pensamento.

nem sempre a sombra repete o mar,
e não é sempre que dei voz aos condenados à morte.

a que oeste pertence a morte, então, se
explorar o que não nasceu
me dá vontade de falar dos oceanos?

seria melhor se, sem pedir nada,
alguma queima de roteiro acordasse nosso inverno;

e as nossas malas acordassem nosso futuro descomposto.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

a árvore e a floresta

?

a que recai
acordar do azul do teu, meu, nosso esquecimento?

a quem significa
ver teu rosto contra o céu,
tua enferma sanidade?

a que pretexto beijo
os ecos das conversas que não tivemos
e o peso do sol pelas próximas manhãs?

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

la douleur exquise

Saio com meus envelopes em mãos,
não sinto a água batendo
no meu guarda-chuva azul violento que achei que pudesse significar algo

você observa os passos com cuidado;
nos meus pensamentos, quantas vezes você confessou seu ódio por poças na rua?

Enquanto você questiona o que farão
com a inúmera quantidade de gotas alagando as ruas

Sou movido em sentido contrário, você continua em frente;
nos movemos em direção às segundas-feiras e seus infinitos conseguintes

Ele finge saber pares de palavras
Eu lhe silenciosamente prometo que a vida o trate bem.

Voltarei em 10 min.

domingo, 8 de dezembro de 2013

dizer pirata

(photo by http://calcetin-verde.deviantart.com)

entre o que nos parece e o que é
decidi que encontramos um lugar pra encostar a cabeça.

quem sabe, por uma questão de verdade,
a manhã tem o mesmo movimento
do diferente que nunca te diriam.

sorri, gira a chave,
aqui é;
dois piratas e tudo que não foi nos dito.

sábado, 2 de novembro de 2013

foi porque sequer


[Imagem por http://debaratidas.deviantart.com] 

Se o tudo não passar disto,
foi porque sequer, talvez,
sequer porque algo recai no que pude
e de fato escrevi a ti
por direito de desenhar maior
o que eventualmente nunca poderíamos ser

então há, se existisse, sob repente,
a possibilidade de entender que atravessa teu sim
minha chance de te afastar dos meus próprios significados.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

pressa


eu
fácil como a ida do teu rosto a oeste,
último a sumir,
tão coerente quanto um passaporte em branco,

espero tua fronteira entre a manhã e depois,
sob o pretexto de enxergar
a caída da noite como tua própria pressa.



segunda-feira, 23 de setembro de 2013

norte



num dia excessivamente tardio
quando te concedi a  preferência das bússolas
quem, pensava eu, era capaz de arrancar
o que a nós próprios poderia ter sido


abaixe as malas!
esquece que eu não sei voltar